Athens News - Como uma foto da AFP se tornou símbolo do verão de incêndios na Europa

Como uma foto da AFP se tornou símbolo do verão de incêndios na Europa
Como uma foto da AFP se tornou símbolo do verão de incêndios na Europa / foto: Maximilien LAMY - AFP/Arquivos

Como uma foto da AFP se tornou símbolo do verão de incêndios na Europa

Maximilien Lamy, editor de fotos da AFP, estava de férias com sua esposa e filha na semana passada quando fez com o celular uma série de imagens de banhistas no sudoeste da França, atingido pelos incêndios.

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Seu instinto foi fotografar, mas ele não esperava que uma de suas fotos à beira do lago desse a volta ao mundo em questão de horas. "Não achei que fosse tomar essa proporção", disse Lamy à AFP. "Estou completamente atordoado".

Ele pegou o telefone enquanto caminhava pela praia do lago, de onde tinha estacionado o carro até um restaurante na cidade turística de Lacanau.

"Aconteceu muito rápido, porque eu estava andando depressa. Minha filha estava com muita fome e me dizia: 'Pai, para de tirar fotos, já chega'", contou.

A imagem parecia "apocalíptica" e era profundamente simbólica, disse Lamy.

A foto mostra um casal de banhistas sentado em cadeiras de praia listradas sob um guarda-sol de cores vivas em uma praia. Eles observam uma enorme coluna de fumaça se erguer ao fundo, tingindo o céu com um brilho alaranjado.

O homem está com as pernas cruzadas, enquanto a mulher segura o telefone. Seus pertences estão espalhados ao redor.

- "Alegoria" -

A foto acabou se destacando, na mídia e nas redes sociais, como um símbolo dos devastadores incêndios na França, mas também como uma crítica à omissão diante do clima.

Alguns tentaram imaginar um diálogo entre o casal, outros sugeriram paralelos com o filme "Não Olhe para Cima" (2021), estrelado por Leonardo DiCaprio, que satiriza a apatia da sociedade diante da crise climática.

Para o jornal francês Le Figaro, a realidade transformou-se em "uma alegoria".

"A catástrofe ocupa quase toda a imagem e, no entanto, de algum modo parece relegada a segundo plano", disse o periódico, que considerou a foto como o retrato incômodo de uma geração.

- "Não quero culpá-los" -

Lamy disse compreender a forte repercussão. "É simplesmente um símbolo da época", afirmou esse apaixonado por fotografia de rua.

Na sua opinião, o casal parecia estar vendo como a catástrofe se desenrolava como se fosse um filme, do conforto da sua sala de estar. Mas o editor, que trabalha para a AFP há mais de 20 anos, advertiu que não se deve julgar o casal.

"Não quero culpá-los (...) Ninguém sabe o que eles realmente pensavam", sustentou.

Embora alguns internautas tenham achado que a foto havia sido gerada com IA, Lamy afirmou que ela não foi alterada, apenas as bordas foram um pouco cortadas.

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H.Christodoulou--AN-GR