Aaron Sorkin ataca o Facebook em "The Social Reckoning"
Dezesseis anos depois de "A Rede Social", Aaron Sorkin ataca o Facebook e seu fundador, Mark Zuckerberg, em "The Social Reckoning", uma "história de jornalismo", segundo seu diretor.
O americano, que em 2010 escreveu o roteiro do filme dirigido por David Fincher, desta vez leva para a tela a demolidora investigação realizada pelo Wall Street Journal em 2021, baseada em milhares de documentos internos fornecidos pela denunciante Frances Haugen, interpretada por Mikey Maddison.
Jeremy Allen White encarna o jornalista Jeff Horwitz, que revelou, entre outras coisas, a existência de um estudo interno, ignorado, que demonstrava o prejuízo do Instagram para os adolescentes, além da modificação das regras do algoritmo para favorecer a difusão de discursos de ódio, chamados à violência e informações falsas. O filme estreia na próxima semana em boa parte do mundo.
Mark Zuckerberg (interpretado por Jeremy Strong) ocupa um papel secundário e aparece depondo perante o Congresso americano, onde defendeu a liberdade de expressão absoluta, sem qualquer tipo de moderação, inclusive para combater a desinformação.
"Em ‘A Rede Social’, tentei compreender suas motivações e entrar em sua cabeça", contou Aaron Sorkin à AFP. "Neste filme, ele desempenha um papel diferente, em que faço com que desenvolva seus argumentos para, ao final, confrontá-lo com as consequências do que fez", diz o cineasta, que apresenta Zuckerberg mais como um anti-herói do que como um vilão propriamente dito.
"The Social Reckoning" (Acerto de Contas Social, em tradução livre) é, antes de tudo, um filme sobre jornalismo, na linha de grandes clássicos como "Todos os Homens do Presidente" (1976), "Spotlight: Segredos Revelados" (2015) ou "The Post: A Guerra Secreta" (2017).
"É uma história de uma denunciante, uma história de jornalismo", insiste o diretor. "Me parece fantástico que haja novas fontes de informação, independentes. O que já não me parece tão maravilhoso é que esses novos meios, para se impor, tenham tido que destruir, de certa forma, os meios tradicionais", lamenta o criador da série "The Newsroom".
- Perda de confiança -
"As pessoas perderam a confiança nessas fontes tradicionais de informação, quando não deveriam ter perdido", afirma. "Gostaria que Hollywood fizesse mais filmes em que os jornalistas fossem os heróis", diz Sorkin.
No filme, o personagem interpretado por Jeremy Allen White repete como um mantra: "Todo mundo tem voz, mas nem todo mundo merece um microfone".
O filme, que multiplica os saltos temporais, termina com o ataque ao Capitólio de 6 de janeiro de 2021, apresentado como uma consequência direta da política de não moderação do Facebook, agora chamado Meta.
Uma cena em que Donald Trump nunca é mencionado, já que o diretor quis evitar que o filme gerasse um "debate" sobre o presidente americano.
Como medida de precaução, um escritório de advocacia revisou minuciosamente o roteiro para evitar possíveis processos da Meta.
B.Tsoukalis--AN-GR