Athens News - Trump adverte Irã que 'tempo se esgota' para negociações nucleares

Trump adverte Irã que 'tempo se esgota' para negociações nucleares
Trump adverte Irã que 'tempo se esgota' para negociações nucleares / foto: ATTA KENARE - AFP

Trump adverte Irã que 'tempo se esgota' para negociações nucleares

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ao Irã, nesta quarta-feira (28), que "o tempo se esgota" para negociar seu programa nuclear, mas a República Islâmica se nega a dialogar sob ameaça.

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Trump não descarta um novo ataque ao Irã depois da repressão brutal dos protestos antigovernamentais. Em junho, os Estados Unidos apoiaram e se somaram à guerra de 12 dias entre o Irã e Israel.

Uma força de ataque aeronaval americano, encabeçado pelo porta-aviões "USS Abraham Lincoln", está posicionada em águas do Oriente Médio.

Enquanto isso, são conhecidos mais dados sobre a repressão aos protestos, iniciados no fim de dezembro.

Em um balanço atualizado, a Agência de Notícias de Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA), com sede nos Estados Unidos, disse ter verificado 6.221 mortes, em sua maioria de manifestantes atingidos por disparos das forças de segurança. O grupo acrescentou que pelo menos 42.324 pessoas foram detidas e investiga outras 17.091 possíveis mortes.

Um bloqueio da internet complica os trabalhos de verificação sobre o alcance da repressão.

Em mensagem na plataforma Truth Social, Trump não mencionou os protestos, mas afirmou que o Irã tem que negociar sobre seu programa nuclear que, segundo o Ocidente, tem como objetivo fabricar uma bomba atômica.

"Esperamos que o Irã se sente à mesa em breve para negociar um acordo justo e equitativo para todas as partes - ARMAS NUCLEARES NÃO", escreveu.

"O tempo se esgota", acrescentou Trump, mencionando os ataques dos Estados Unidos contra instalações nucleares no Irã no ano passado. "O próximo será muito pior", advertiu.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) americano anunciou a deportação de três ex-membros da Guarda Revolucionária do Irã que entraram ilegalmente nos Estados Unidos.

Segundo analistas, Washington poderia atacar instalações militares ou golpear seletivamente a liderança do aiatolá Ali Khamenei na tentativa de derrubar o regime que governa o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o xá.

Teerã descarta se sentar à mesa de negociações sob a ameaça de operações militares e tenta obter apoio entre os países árabes.

"Conduzir a diplomacia mediante ameaças militares não pode ser eficaz, nem útil", disse à TV o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araqchi.

A Turquia aconselhou os Estados Unidos a dialogarem e a Arábia Saudita prometeu ao Irã que não permitiria o lançamento de ataques contra a República Islâmica de seu território.

- "Reduzir a escalada" -

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, conversou com o primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, que também é ministro das Relações Exteriores, informaram os dois países.

O xeque Mohammed ressaltou o apoio do Catar a "todos os esforços voltados para reduzir a escalada e alcançar soluções pacíficas, para reforçar a segurança e a estabilidade na região", informou o Ministério das Relações Exteriores catari.

Paralelamente, novos outdoors instalados em Teerã mostram o Irã atacando um porta-aviões americano e frases de Khamenei denunciando Washington, segundo correspondentes da AFP.

- Novas denúncias de repressão -

Segundo ativistas da HRANA, a repressão continua, com forças de segurança revistando hospitais em busca de manifestantes feridos e com "confissões forçadas" difundidas pela TV estatal.

São "novas dimensões da contínua repressão de segurança após os protestos", denunciam.

Além disso, o Irã executou, nesta quarta-feira, um homem detido em abril de 2025, acusado de espionagem para o serviço de inteligência israelense Mossad, informou o Poder Judiciário.

Grupos de defesa dos direitos humanos estimam que 12 pessoas tenham sido executadas no país por acusações similares em decorrência da guerra de 12 dias com Israel em junho.

G.Makropoulos--AN-GR