Athens News - Leão XIV é aclamado em Paris após alertar sobre os riscos da IA

Leão XIV é aclamado em Paris após alertar sobre os riscos da IA
Leão XIV é aclamado em Paris após alertar sobre os riscos da IA / foto: Ludovic Marin - AFP

Leão XIV é aclamado em Paris após alertar sobre os riscos da IA

Aclamado por multidões nas ruas de Paris, o papa Leão XIV alertou nesta sexta-feira (25) para o risco de perder a humanidade em um "paraíso de máquinas" movido pela inteligência artificial.

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O pontífice percorreu as ruas no papamóvel até a imponente Catedral de Notre-Dame. Os fiéis acenavam com bandeiras amarelas e brancas do Vaticano.

Ao passar pelo Boulevard Saint-Michel, em frente ao Jardim de Luxemburgo, o papa americano, que também tem cidadania peruana, sorriu e cumprimentou longamente a comunidade peruana, que irrompeu em aplausos.

"Ele leu meu cartaz. Me sinto super bem, tão feliz!", disse à AFP Aida Huamán, uma peruana de 56 anos que mora em Lima e veio à França há um mês para ver a filha e o papa.

Nas mãos, ela carrega um cartaz com os dizeres "Papa Leão XIV. Peru com você", que ergueu quando o pontífice passou, enquanto o restante do grupo de compatriotas e latino-americanos presentes gritava: "Viva o papa!" ou "O papa é peruano!"

"É uma sensação extraordinária, uma vibração incrível", acrescentou a mulher.

"Chorei muito. Ele olhou para nós", disse Issen Mote, uma fotógrafa peruana de 46 anos que vive na França há seis anos, ainda emocionada.

Esta é a primeira visita papal oficial à França em 18 anos, um país que fez do laicismo um de seus princípios definidores.

Ao chegar, o pontífice americano foi recebido com honras militares pelo presidente Emmanuel Macron e sua esposa Brigitte.

Sua primeira parada foi no Palácio do Eliseu, onde o líder espiritual dos 1,4 bilhão de católicos exortou à formação de "mentes capazes de discernimento ético, aptas a distinguir o que é moralmente bom", para que o progresso tecnológico possa servir à dignidade humana.

O pontífice já havia dedicado em maio sua primeira encíclica, "Magnifica Humanitas", à inteligência artificial, uma tecnologia que ele pediu que fosse "desarmada" para "impedir que domine a humanidade".

Pouco antes, Macron defendeu a criação de uma "organização internacional" para garantir que os "modelos mais avançados" de inteligência artificial não acabem "nas mãos de poucos".

- "Morte programada" -

Em seu discurso, Leão XIV condenou a "manipulação genética, a barriga solidária, a compra de órgãos" e "a oferta de morte programada".

A França foi o primeiro país a consagrar a "liberdade garantida" ao aborto em sua Constituição e, em julho, aprovou o direito à eutanásia e ao suicídio assistido em certos casos.

"A proteção do direito à vida constitui o fundamento indispensável de todos os outros direitos humanos", afirmou o papa.

Espera-se que um milhão de pessoas acompanhem o pontífice durante seus dois dias em Paris, onde cartazes de boas-vindas podem ser vistos nas igrejas e uma grande tenda já foi erguida para a missa de sábado na Champs-Élysées.

"Estamos muito felizes por estarmos perto dele e compartilharmos nossa alegria com ele", disse Carmen Quintana, uma aposentada de 71 anos e vice-diretora da Irmandade Peruana dos Portadores do Senhor dos Milagres de Paris.

- "Sede espiritual" -

Após sua visita ao Eliseu, o papa visitou a sede da Unesco em Paris.

Assim como na Espanha, em junho, o dia terminará com uma vigília para jovens no icônico Stade de France, ao norte de Paris, onde são esperados 80 mil participantes entre 17 e 35 anos, além de música pop e conversas com Leão XIV.

Esta visita em três etapas (Paris, Lourdes e Metz) mobiliza um grande contingente de 15 mil policiais e gendarmes e custará 27 milhões de euros (aproximadamente 159 milhões de reais).

Desde o acolhimento de migrantes até a paz na Europa, o papa abordará uma ampla gama de temas, sete meses antes de uma eleição presidencial muito aberta na França, na qual a extrema direita lidera as pesquisas.

A viagem também ocorre em um momento crucial para a Igreja na França, dividida entre um declínio na prática religiosa e um aumento nos batismos de jovens nos últimos cinco anos.

 

A visita continuará no sábado e no domingo em Lourdes, onde ele se encontrará com vítimas de abuso sexual dentro da Igreja, e terminará em Metz, com um discurso sobre a paz e a União Europeia.

K.Lykoudis--AN-GR