Jeremy Allen White enfrenta ambição 'assustadora' das redes sociais em 'O Outro Lado das Redes'
Jeremy Allen White considera assustador o poder que as redes sociais concentraram, algo que o ator conseguiu enfrentar... nas telonas.
O americano protagoniza, ao lado de Mikey Madison, "O Outro Lado das Redes", um drama escrito e dirigido por Aaron Sorkin que expõe as entranhas do Facebook.
O filme se concentra em uma investigação jornalística de 2021 que revelou algumas das práticas mais criticadas da rede social.
Liderada pelo jornalista Jeff Horwitz (White), que na época trabalhava para o The Wall Street Journal, a investigação pôde ser realizada graças à colaboração da denunciante Frances Haugen (Madison).
"Tenho muitos medos sobre o que estas empresas querem atualmente. Elas querem tudo, querem todo o nosso tempo, toda a nossa atenção, toda a nossa interação, querem que nos comuniquemos com as ferramentas delas", disse White em entrevista à AFP.
Para o ator, "é assustador não saber até onde isso chega. Eles têm bilhões de dólares".
"O Outro Lado das Redes" é uma espécie de peça complementar de "A Rede Social", o aclamado filme de 2010 que narra os primórdios do Facebook.
Também escrita por Sorkin e protagonizada por Jesse Eisenberg, o longa-metragem se concentra na figura de Mark Zuckerberg, então um estudante que não levava muito jeito para a vida social e desenvolve seu próprio ecossistema para fazer amigos: o Facebook.
Para White, que fez uma conta na rede social quando estava no ensino médio, a plataforma parecia então "bastante inocente". Mas o ator de 35 anos recorda que naquela época já podia notar a ansiedade e a insegurança que provocava em seus amigos a possibilidade de ver quantos seguidores cada um tinha e quem seguiam.
"Parecia uma ideia nova, e agora é a forma como avaliamos tudo neste mundo", acrescentou.
Mikey Madison, de 27 anos, decidiu não ter redes sociais, um hábito que mantém até hoje. Vencedora do Oscar de Melhor Atriz por "Anora", ela disse compartilhar "muitas das inquietações" de White em relação ao impacto das redes sociais.
- "Muito angustiante" -
A produção, que também conta com atuações de Bill Burr, Betty Gilpin e Billy Magnussen, mostra um Zuckerberg adulto (interpretado por Jeremy Strong), ainda com habilidades sociais limitadas, mas transformado em uma figura poderosa cuja criação é usada por bilhões de pessoas.
O filme mostra como, segundo a investigação, as práticas da empresa contribuíram para a radicalização de alguns de seus usuários. As revelações serviram de munição para ações judiciais que, em alguns casos, exigiram indenizações milionárias.
Mas White ressalta que, para empresas que movimentam bilhões de dólares em receitas, "os valores são praticamente irrelevantes".
"Tomara que o filme leve as pessoas a conversar sobre os danos que podem ser causados por empresas como o Facebook", disse o ator, acrescentando que espera que as pessoas "perguntem a seus amigos, a seus familiares, a si mesmas, sobre sua relação com as plataformas de redes sociais (...) que entendam melhor como essas empresas operam".
Wunmi Mosaku, que interpreta uma assessora de Zuckerberg, tem expectativas semelhantes em relação ao longa, que estreia nos cinemas dos Estados Unidos nesta sexta-feira.
"As redes sociais têm muita responsabilidade pelo ambiente em que nos encontramos", disse Mosaku à AFP.
Para a atriz de 40 anos, o filme levanta questões que merecem uma resposta. "O que os governos vão fazer? Vamos continuar nesse caminho para o qual estamos sendo arrastados pelos bilionários ou vamos colocar regulamentações em prática? (...) Em que bolhas estamos, como estão nos radicalizando e separando, e nos tornando incapazes de nos comunicarmos uns com os outros? É muito angustiante", declarou.
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