Avião que decolou de Cabo Verde por surto de hantavírus pousou nas Canárias
Um dos dois aviões que decolaram de Cabo Verde para evacuar os passageiros do navio de cruzeiro afetado por um surto de hantavírus pousou nesta quarta-feira (6) no arquipélago espanhol das Ilhas Canárias, e o outro está viajando em direção aos Países Baixos.
O hantavírus, transmitido por roedores infectados, normalmente através da urina, dos excrementos e da saliva, preocupa a população desde o último sábado. Nesse dia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi informada da morte de três pessoas, provavelmente infectadas pelo vírus.
No entanto, as autoridades sanitárias descartam um surto mundial.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou à AFP que não se trata de uma situação similar à da pandemia de covid-19.
"O risco para o resto do mundo é baixo", disse.
Dois tripulantes doentes e outra pessoa que teve contato com um dos casos confirmados foram evacuados do MV Hondius, em frente à costa de Cabo Verde, informou a OMS.
Dois aviões decolaram de Cabo Verde simultaneamente.
O rastreador de voos FlightRadar24 indicou que um deles partiu para Amsterdã, onde tinha previsão de pouso às 17h30 GMT (14h30 no horário de Brasília).
O outro voo, um avião-ambulância cuja chegada ao arquipélago espanhol não havia sido previamente mencionada, pousou no Aeroporto de Gran Canaria pouco antes das 15h30 GMT (12h30 em Brasília), confirmou um jornalista da AFP.
As autoridades das Ilhas Canárias disseram à AFP que "desconheciam" o motivo.
A representante da OMS em Cabo Verde, Ann Lindstrand, declarou à AFP que as três pessoas trasladadas do navio se encontram "estáveis". "Uma das três está assintomática", acrescentou.
O MV Hondius zarpou de Ushuaia, no sul da Argentina, em 1º de abril e está ancorado na costa de Cabo Verde desde domingo. Os passageiros começaram a adoecer há um mês.
Uma mulher holandesa morreu na África do Sul em 26 de abril, após ter deixado o navio devido à morte a bordo de seu marido.
Outras duas pessoas recebem tratamento: uma em Joanesburgo e outra na cidade suíça de Zurique.
- Cruzeiro rumo às Canárias -
A ministra da Saúde espanhola, Mónica García, informou que o cruzeiro vai atracar "no prazo de três dias" no porto de Granadilla, na ilha canária de Tenerife, apesar da oposição do governo regional do arquipélago.
Todos os estrangeiros, exceto os gravemente doentes, serão trasladados de avião dali para seus países de origem, informou.
Os 14 espanhóis a bordo do MV Hondius - 13 turistas e um membro da tripulação - serão trasladados a Madri, onde "permanecerão em quarentena pelo tempo que for necessário", acrescentou a ministra.
Segundo as autoridades holandesas, esperava-se que dois especialistas em doenças infecciosas dos Países Baixos acompanhassem os passageiros pelo resto da viagem.
- Vírus dos Andes -
As autoridades tentam localizar os ocupantes do voo que, segundo a companhia aérea sul-africana Airlink, transportava 82 passageiros e seis tripulantes.
"Este tipo de transmissão é muito pouco frequente e só ocorre devido a um contato muito próximo entre as pessoas", declarou, nesta quarta-feira, o ministro da Saúde sul-africano, Aaron Motsoaledi, a uma comissão parlamentar.
Ele confirmou que os exames detectaram o vírus dos Andes, a única cepa capaz de ser transmitida entre pessoas.
O Ministério da Saúde suíço confirmou, ainda, que o passageiro internado em um hospital de Zurique testou positivo para a cepa dos Andes.
O cruzeiro levava a bordo 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades.
O paciente de Zurique eleva a três o número de casos de hantavírus. Além dele, foi detectado em um dos falecidos e em um britânico que está atualmente em uma unidade de terapia intensiva em Joanesburgo.
Há um total de outros cinco casos suspeitos, inclusive as outras duas mortes, informou a OMS.
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T.Lazarou--AN-GR