China aceita 'moderar' suas exportações de veículos híbridos para a UE, segundo comissário europeu
Pequim e Bruxelas chegaram a um acordo, nesta sexta-feira (9), para "moderar" as exportações chinesas de veículos híbridos para o mercado europeu, anunciou o comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic.
O acordo foi anunciado após uma reunião em Pequim entre Sefcovic e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, depois de meses de tensões crescentes entre as duas partes, alimentadas pelo forte déficit comercial europeu com a China e por acusações de práticas comerciais desleais.
O setor automotivo foi um dos principais temas das negociações, em um contexto marcado pela preocupação europeia com a chegada de veículos chineses de menor custo, que exercem forte pressão sobre os fabricantes do bloco.
Segundo Sefcovic, o entendimento permitirá "moderar as exportações chinesas de veículos híbridos e híbridos plug-in para a UE".
"Isso abre a perspectiva de reduzir em mais da metade as exportações chinesas" nos próximos quatro anos, declarou à imprensa.
A principal organização do setor automotivo europeu recebeu bem o acordo e o classificou como "um passo positivo para aliviar as tensões comerciais".
"É um primeiro passo crucial, mas apenas o primeiro no processo de reequilíbrio" comercial entre a UE e a China, disse Sefcovic, na mesma linha.
Também alertou que, caso o diálogo não produza resultados suficientes, Bruxelas recorrerá aos seus instrumentos comerciais para corrigir esses desequilíbrios.
No entanto, o gigante asiático advertiu que reagirá caso sejam adotadas medidas contrárias aos seus interesses.
O déficit comercial da UE com a China gira atualmente em torno de 1 bilhão de euros (cerca de 1,12 bilhão de dólares) por dia.
Como parte dos acordos alcançados, Pequim também aceitou aplicar tarifas reduzidas a uma série de produtos europeus, incluindo peças automotivas e azeite de oliva, entre outros, detalhou o comissário europeu.
Além disso, a China comprometeu-se a continuar facilitando a aprovação de licenças para matérias-primas consideradas estratégicas para diversas indústrias.
Embora ambas as partes tenham reconhecido a persistência de divergências, concordaram em manter o diálogo e realizar uma nova rodada de conversas em março.
J.Sotiriou--AN-GR