Senado aprova PEC do fim da escala 6x1
O Senado aprovou nesta quarta-feira (14) uma redução da semana de trabalho, uma das apostas do presidente Lula para reverter sua desvantagem em relação a Flávio Bolsonaro antes do segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro.
A proposta de emenda constitucional (PEC) estabelece dois dias de descanso remunerado em vez de um, e reduz de 44 para 40 horas o limite de horas trabalhadas por semana.
A votação conclui a tramitação legislativa da chamada PEC do fim da escala 6x1, após a medida ter sido aprovada anteriormente pela Câmara dos Deputados. A proposta obteve no Senado 75 votos a favor e apenas 1 contra.
"Desde a Constituição de 1988, tenho certeza de que é a maior conquista dos trabalhadores brasileiros", disse o relator do projeto no Senado, Omar Aziz.
Após a votação, um grupo de senadores se manifestou com cantos em favor do presidente Lula. A aprovação foi uma das bandeiras das manifestações recentes em favor da reeleição de Lula.
"Tenho certeza de que uma conquista como esta jamais será revogada, porque não foi uma conquista burocrática, foi uma conquista que saiu da rua e do desejo histórico do povo trabalhador", comemorou o presidente, em um vídeo publicado em suas redes sociais.
O senador Flávio Bolsonaro, que havia criticado a proposta, acabou votando a favor. Lula aproveitou essa mudança de postura para devolver a crítica ao rival. "É importante ter em conta que nossos adversários decidiram ontem que vão votar favorável. Querem votar por oportunismo eleitoral”, declarou, em vídeo divulgado antes da aprovação.
Segundo integrantes da campanha de Lula, ele acredita que a aprovação da PEC vai impulsionar sua virada nas urnas.
- Aplicação gradual -
O projeto tem como alvo os setores populares que constituem historicamente a base eleitoral de Lula. Milhões de brasileiros trabalham atualmente seis dias por semana, um regime conhecido como "6x1". A redução será implementada de forma gradual, ao longo dos próximos 14 meses.
Durante a campanha eleitoral, Flávio Bolsonaro propôs um plano de cortes de gastos públicos inspirado nas políticas do presidente argentino, Javier Milei. A bancada conservadora no Congresso defendia uma alternativa que permitiria a cada funcionário negociar com seu empregador a carga horária semanal.
Após uma série de manifestações que reuniram multidões em várias cidades do país, Flávio anunciou uma mudança de postura. "Estou rodando o Brasil, a maioria dos trabalhadores quer o fim da 6x1, então vou votar a favor", declarou ontem.
N.Tzortzis--AN-GR