Plataforma de criptomoedas Binance confirma ciberataque de US$ 6,3 bilhões
A plataforma de criptomoedas Binance informou na quinta-feira (29) que foi vítima de um grande ataque cibernético que afetou fundos avaliados em quase 6,3 bilhões de dólares (33 bilhões de reais), com aproximadamente metade do valor congelado para evitar um roubo em larga escala.
A empresa, a maior bolsa de moedas digitais do mundo em termos de volume diário de operações, publicou uma série de mensagens na rede social X, em alguns casos contraditórias, nas quais assegurou que "os fundos dos usuários estão totalmente seguros", mas também que "cobrirá todas as perdas".
Posteriormente, a Binance informou em seu perfil em espanhol para a América Latina que "o impacto total estimado está em cerca de US$ 6,3 bilhões".
"Trabalhamos com parceiros de blockchain para congelar os ativos afetados, com cerca de US$ 3 bilhões já congelados on-chain até agora", acrescentou.
O valor seria quatro vezes maior que a quantia afetada naquele que até agora era considerado o maior ciberataque do tipo: 1,5 bilhão de dólares subtraídos em fevereiro do ano passado da plataforma Bybit.
A empresa de pesquisa em blockchain TRM Labs afirmou na quinta-feira ter "alta confiança" de que o ataque foi orquestrado pelo TraderTraitor, um grupo de hackers vinculado à Coreia do Norte, e citou "informações robustas dentro e fora da blockchain".
"Várias características do ataque coincidem com roubos anteriores vinculados à Coreia do Norte", afirmou a TRM.
Analistas acreditam que o TraderTraitor faça parte do Grupo Lazarus, que ganhou notoriedade em 2014, quando foi acusado de hackear a Sony Pictures em represália contra 'A Entrevista', filme que satirizava o líder norte-coreano Kim Jong-un.
- Fundos congelados -
Às 0h30 GMT de sexta-feira (21h30 de Brasília, quinta-feira), a Binance informou que todos os depósitos e saques foram "suspensos temporariamente", enquanto sua equipe "conduz verificações de segurança, congela fundos e colabora com as autoridades".
"O valor pode continuar aumentando à medida que nossas equipes trabalham em estreita colaboração com as autoridades, os emissores, as empresas de inteligência de blockchain e parceiros do setor para rastrear e congelar ativos adicionais", afirmou.
O comunicado da empresa no X indicou que uma investigação inicial sugeria que o ataque envolveu um laptop comprometido pertencente a um "engenheiro de DevOps", o que permitiu à parte não autorizada acessar um "contêiner de serviço" e executar transações de saque não autorizadas.
"Não encontramos evidências de qualquer vazamento de chaves privadas de carteiras", afirmou a Binance.
Paolo Ardoino, diretor da Tether, empresa que emite uma criptomoeda conhecida como USDT, disse que congelou quase 1,6 bilhão de dólares "relacionados a um possível ataque à plataforma Binance".
Jeremy Allaire, que comanda a plataforma de criptomoedas Circle, acrescentou que sua empresa bloqueou mais de 800 milhões de dólares em outra moeda digital, a USDC.
USDT e USDC são "stablecoins", ou seja, moedas digitais cujo valor está atrelado a uma moeda tradicional, o dólar americano.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos e o FBI não responderam aos pedidos de comentário até o momento.
- Preços das criptomoedas em queda -
Durante várias horas antes da confirmação do ataque pela Binance, analistas do setor apontaram que os hackers haviam conseguido acessar a plataforma.
Os preços da maioria das principais criptomoedas caíram após a notícia do ciberataque, com exceção das stablecoins, que, por definição, só podem oscilar dentro de margens estreitas.
Às 4h00 GMT (1h00 de Brasília), bitcoin e Ethereum recuavam 0,8%, uma recuperação após quedas de quase 5% e 6%, respectivamente.
O BNB, moeda nativa da Binance, subiu 2,7% após uma queda de 10%.
O ataque contra a Binance acontece no momento em que muitos observadores expressam preocupação de que as capacidades em constante expansão dos modelos de inteligência artificial (IA) possam comprometer a criptografia e os protocolos de segurança de TI.
R.Kontogeorgis--AN-GR