Athens News - Rebeldes houthis do Iêmen tomam estratégico Estreito de Bab el-Mandeb

Rebeldes houthis do Iêmen tomam estratégico Estreito de Bab el-Mandeb
Rebeldes houthis do Iêmen tomam estratégico Estreito de Bab el-Mandeb / foto: - - AFP/Arquivos

Rebeldes houthis do Iêmen tomam estratégico Estreito de Bab el-Mandeb

Os rebeldes houthis tomaram toda a costa iemenita do Mar Vermelho nesta sexta-feira (11), embora tenham prometido uma navegação "segura" no estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, exceto para a Arábia Saudita, sua inimiga.

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Desde a semana passada, este grupo rebelde pró-iraniano que controla vastas partes do Iêmen lançou uma ofensiva para controlar essa via marítima crucial, que liga a Ásia à Europa.

E em questão de alguns dias, conseguiram chegar ao Mar Vermelho.

"Tudo o que estava sob nosso controle na costa ocidental caiu", informou à AFP um encarregado militar do governo iemenita, reconhecido internacionalmente e apoiado por Riade.

A Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo, está encurralada, com o Estreito de Bab el-Mandeb sob controle dos houthis e o de Ormuz, no outro extremo da península, bloqueado pelo Irã desde o início da guerra no Oriente Médio.

Mas os houthis tentaram acalmar os temores globais. "A navegação é segura para todas as companhias, com exceção dos navios sauditas, que já têm o acesso proibido", declarou Yahya Saree, porta-voz militar do movimento.

Petroleiros e navios mercantes procedentes da Ásia usam Bab el-Mandeb para chegar ao Mar Vermelho e depois ao Canal de Suez e ao Mediterrâneo, e no sentido inverso pelo oceano Índico.

Em caso de bloqueio, a única alternativa, muito mais cara, consiste em circundar a África pelo cabo da Boa Esperança.

Os preços do petróleo sentiram o impacto e o barril de Brent, referência internacional, voltou a ser cotado acima dos 100 dólares nesta sexta-feira.

- Avanço relâmpago -

Os houthis aceleraram sua ofensiva nos últimos dias em torno de Bab el-Mandeb, e na quinta-feira tomaram a cidade portuária de Moca, 70 km ao norte do estreito.

Em nota, Tarek Saleh, comandante das forças que controlam Moca, qualificou a ofensiva houthi de "planejada e apoiada pelo Irã".

Um assessor do líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei qualificou o avanço dos houhtis como uma "vitória contundente".

Após sair de Moca no meio da noite, Mohamed, de 46 anos, descreveu à AFP um ambiente "apocalíptico".

Nesta sexta, os houthis conquistaram a ilha de Perim (também conhecida como ilha de Mayyun), situada no centro do estreito, e as ilhas Hanish Maior e Hanish Menor, segundo fontes do governo iemenita.

Uma testemunha disse ter visto homens armados se deslocando "ao longo da costa de Bab el-Mandeb a bordo de veículos militares".

O Estreito de Bab el-Mandeb ganhou ainda mais importância desde o início da guerra no Oriente Médio no fim de fevereiro, com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e as represálias iranianas contra as monarquias petroleiras do Golfo.

Teerã tem usado como ferramenta de pressão a paralisação na prática da navegação pelo Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica e uma das principais vias mundiais para o trânsito de hidrocarbonetos.

Diante das graves perturbações nesta via e para evitar o bloqueio iraniano em Ormuz, a Arábia Saudita optou por aumentar suas exportações de petróleo a partir do porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Segundo o site de notícias americano Axios, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, pediu ao presidente americano, Donald Trump, que ordenasse ataques contra os houthis para contê-los.

Trump negou este pedido, feito duas vezes na quinta-feira, segundo o Axios, que citou altos funcionários americanos.

Um deles explicou ao Axios que o governo Trump continuaria fornecendo a Riade informação de inteligência, mas não considera uma intervenção militar direta.

As águas do sul do Mar Vermelho têm quatro ilhas: Zuqar, tomada pelos houthis na quinta-feira, Perim, e as duas ilhas Hanish.

- Arábia Saudita sob pressão -

Uma imagem do programa europeu Copernicus mostrava, nesta sexta, uma espessa coluna de fumaça preta subindo no deserto na região atacada.

"Acho que os sauditas fizeram tudo o possível para evitar esta guerra, mas não acredito que a esta altura lhes reste outra opção", comentou Farea Al Muslimi, pesquisador associado do centro de Estudos Chatham House.

A situação no Iêmen foi tema de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU na quinta-feira. O enviado especial das Nações Unidas para o país, Hans Grundberg, pediu uma "implicação ativa" desse órgão para "se distanciar do que poderia ser o precipício rumo a um conflito muito mais perigoso".

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), pelo menos 46.000 pessoas foram deslocadas desde a retomada da intensificação dos combates no sudoeste do país.

Q.Panagiotou--AN-GR