Documentos questionam álibi de Hitler sobre morte suspeita de sobrinha
Documentos encontrados em arquivos de Munique por um pesquisador semeiam dúvidas sobre onde estava Adolf Hitler no momento da morte suspeita de sua sobrinha em 1931, segundo a revista Der Spiegel.
Já naquela época, a imprensa e os adversários políticos do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), então em plena ascensão, questionavam a hipótese de suicídio com arma de fogo de Geli Raubal, que morava havia vários anos em Munique com seu tio, Adolf, suspeito de envolvimento em sua morte.
O escritor Harald Sandner, conhecido por suas obras históricas sobre o ditador alemão, encontrou nos arquivos nacionais e municipais de Munique dois obituários e um registro de óbito que questionam a versão oficial da época, segundo o artigo publicado na terça-feira (22).
Hitler dizia ter deixado Munique na tarde de 18 de setembro de 1931, na véspera da descoberta, pela manhã, do corpo de sua sobrinha, estendido no chão de seu quarto, pelo administrador do prédio e funcionário do líder nazista.
Raubal, de 23 anos, morreu com um tiro no peito, disparado com uma pistola pertencente a Hitler, no que foi oficialmente registrado como suicídio.
No entanto, os três documentos situam a descoberta do cadáver em 18 de setembro às 10h15, quando seu tio ainda estava na cidade, segundo Sandner.
Hitler teria participado de um evento do partido entre as 10h30 e as 12h30, antes de partir à tarde rumo a Nuremberg.
Sandner disse à Der Spiegel que a discrepância nos documentos sobre a data da morte de Raubal pode indicar um acobertamento por parte da polícia, embora não haja prova conclusiva.
Na época, o líder nazista estava em sua trajetória rumo ao poder, que alcançaria em janeiro de 1933, com sua nomeação como chanceler, um fato que precipitou o fim da República de Weimar e o advento do regime totalitário.
Outro possível indício de acobertamento, segundo Sandner, é que não foi realizada nenhuma autópsia no corpo. Embora os documentos encontrados reforcem as suspeitas, não dão nenhuma prova de manipulação, diz o pesquisador.
- Relatos de abusos -
A relação entre Hitler e Raubal, filha de sua meia-irmã Angela Raubal, foi alvo de intensa especulação.
Alguns contemporâneos acreditavam que Hitler tinha sido abusivo ou que teria mantido um relacionamento sexual com sua sobrinha.
Há relatos de que Hitler controlava rigidamente a vida de Raubal depois que ela se mudou para Munique, em 1927.
Há registros de que ela discutiu intensamente com Hitler pouco antes de sua morte, depois que ele se recusou a permitir que ela se mudasse para Viena.
A causa da discussão poderia ter sido a negativa de Hitler de permitir que a jovem se mudasse para a capital austríaca, onde ela esperava continuar sua formação como cantora.
U.Mylonas--AN-GR