Athens News - EUA revisa em alta crescimento no 2º trimestre e inflação segue estável

EUA revisa em alta crescimento no 2º trimestre e inflação segue estável
EUA revisa em alta crescimento no 2º trimestre e inflação segue estável / foto: Patrick T. Fallon - AFP/Arquivos

EUA revisa em alta crescimento no 2º trimestre e inflação segue estável

Os Estados Unidos informaram, nesta quarta-feira (30), que sua economia cresceu mais do que o previsto no segundo trimestre, enquanto a inflação permaneceu estável e as contratações no setor privado superaram as expectativas.

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Os dados representam um impulso para o presidente Donald Trump às vésperas das eleições legislativas de novembro, nas quais a situação econômica é um tema central para os eleitores.

O Departamento de Comércio revisou para cima sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre na maior economia do mundo. A taxa aumentou 0,7 ponto percentual, para 2,2%.

"Os fatores que contribuíram para o aumento do PIB real no segundo trimestre foram os gastos dos consumidores, os investimentos e as exportações. As importações, que são descontadas no cálculo do PIB, aumentaram", informou o Escritório de Análise Econômica (BEA, na sigla em inglês) em um comunicado.

Analistas afirmaram que boa parte da revisão para cima veio de setores beneficiados pelo crescimento da tecnologia de inteligência artificial (IA).

"As revisões anuais mostram que a IA contribuiu mais para o crescimento e menos para a inflação nos últimos anos do que se pensava", afirmou Michael Pearce, economista-chefe para os Estados Unidos da Oxford Economics.

O BEA também revisou para cima, de 2,1% para 2,5%, o crescimento do primeiro trimestre, principalmente devido aos gastos dos consumidores e às exportações de serviços.

- Inflação estável -

O BEA também informou que o índice de preços das despesas de consumo pessoal (PCE), indicador de referência do Federal Reserve (Fed, banco central americano), registrou alta de 3,4% em agosto na comparação anual. A taxa permaneceu inalterada em relação ao mês anterior após uma revisão dos dados de julho.

As famílias e as empresas americanas sofrem desde a pandemia com os preços elevados. A inflação supera a meta de 2% do Fed desde o início de 2021.

No início deste mês, o Fed elevou os juros pela primeira vez em três anos para combater a inflação, para uma faixa entre 3,75% e 4%.

O PCE abrange uma parcela mais ampla dos gastos das famílias do que o outro indicador importante, o índice de preços ao consumidor (IPC).

Algumas políticas de Trump, incluindo a imposição de tarifas alfandegárias, pressionaram a inflação nos Estados Unidos. A guerra contra o Irã provocou uma disparada dos preços da energia em todo o mundo, e os consumidores americanos pagam, em média, 50% a mais nos postos de combustível.

O núcleo da inflação medida pelo PCE, que exclui os voláteis preços da energia e dos alimentos, ficou em 3% na comparação anual.

Os mercados acompanham atentamente os dados de inflação para antecipar as próximas decisões do Fed sobre os juros.

Juros mais altos encarecem o crédito, reduzem os gastos e aliviam as pressões sobre os preços.

Um influente dirigente do Fed afirmou na terça-feira que não havia "urgência" para elevar novamente os juros, embora tenha indicado que um novo aumento poderia ser necessário antes do fim do ano.

Bernard Yaros, da Oxford Economics, afirmou que os novos dados do PCE dificilmente levarão o Fed a flexibilizar a política monetária, sobretudo diante da pressão inflacionária provocada pela guerra contra o Irã.

As revisões divulgadas nesta quarta-feira nos dados do PCE decorrem de alterações metodológicas previstas.

- Alta do emprego -

O mercado de trabalho americano permaneceu estável neste ano, o que permitiu ao Fed concentrar sua atenção na inflação.

A empresa ADP informou nesta quarta-feira que as contratações no setor privado americano avançaram com força em setembro, após registrarem no mês anterior o ritmo mais lento do ano.

As empresas privadas criaram 90 mil vagas em setembro, ante 38 mil em agosto, muito acima do esperado.

Os mercados acompanham atentamente os dados da ADP antes da divulgação dos números oficiais do emprego, prevista para sexta-feira.

O analista Matthew Martin afirmou que os dados da ADP ressaltam "a força do mercado de trabalho".

"Os números reforçarão as expectativas do mercado de uma política monetária mais restritiva por parte do Federal Reserve" para controlar a inflação, acrescentou.

Y.Kostopoulos--AN-GR