Houthis reivindicam mais ataques contra o aeroporto de Riade
Os houthis iemenitas reivindicaram, nesta quarta-feira (7), vários ataques contra alvos sauditas, incluindo o lançamento de um míssil balístico contra o aeroporto de Riade, em meio à batalha no Iêmen contra as forças governamentais, respaldadas pela Arábia Saudita.
"Nossas forças armadas atacaram o aeroporto Rei Khalid com um míssil balístico", afirmou no X o porta-voz militar do movimento, Yahya Saree, que também havia informado anteriormente sobre ataques com drones contra este terminal aéreo e a várias instalações militares no sul do território saudita.
A monarquia petrolífera afirma ter interceptado o lançamento de um míssil no norte de Riade, onde fica o aeroporto, cujo tráfego costuma ser perturbado com certa frequência, segundo o site de rastreamento Flightradar24.
Recentemente, os houthis alertaram às companhias aéreas que o espaço aéreo saudita "não é seguro".
A guerra entre estes insurgentes iemenitas - que controlam a capital, Saná, e vastas áreas do país há mais de uma década - e o governo reconhecido pela comunidade internacional e apoiado por Riade, reacendeu em julho após anos de calma. Tornou-se a frente mais recente da guerra no Oriente Médio.
Desde então, 201.217 pessoas "foram obrigadas a abandonar suas casas", anunciou na quarta-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM), alarmada com a falta de financiamento para enfrentar esta nova crise humanitária no país mais pobre da Península Arábica.
- Mais de 330 mortos -
Em setembro, uma ofensiva relâmpago dos houthis permitiu que assumissem o controle de toda a costa do Iêmen voltada para o Mar Vermelho, reforçando o seu domínio sobre o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta a Ásia à Europa por meio do Canal de Suez.
As forças governamentais, apoiadas por aviões de combate sauditas, lançaram uma contraofensiva no último fim de semana e afirmam ter obtido "vitórias em várias frentes", o que os houthis negam.
Fontes militares de ambos os lados consultadas pela AFP não informaram sobre mudanças significativas no terreno. A verificação de suas posições é complexa por se tratar de zonas de difícil acesso para os jornalistas.
Novos confrontos no oeste do país deixaram ao menos 62 mortos nesta quarta-feira, segundo fontes militares de ambos os lados, o que somaria mais de 330 combatentes mortos desde segunda-feira.
Durante a noite, Riade voltou a bombardear várias regiões controladas pelos combatentes, incluindo Saná, de acordo com o canal Al-Masirah, afiliado aos houthis.
Uma base militar na região do aeroporto de Áden, onde o governo se retirou em 2015, no início do conflito, foi atacada.
Segundo o Ministério dos Transportes, um míssil caiu perto da pista de pouso alguns minutos antes da chegada de um voo da companhia aérea iemenita procedente do Cairo, que teve de ser desviado para um terminal aéreo saudita.
- "No meio da rua" -
A agência de notícias do governo Saba também informou sobre um ataque na cidade de Taiz, controlada pelas forças governamentais, mas parcialmente cercada pelos houthis, com saldo de cinco civis feridos.
"Saímos à rua (...) e vimos jovens que tinham sido atingidos. O projétil caiu no meio da rua, em um momento em que o bairro estava cheio", contou à AFP o morador Al-Fateh al-Eisaei.
A Arábia Saudita e o Iêmen solicitaram, reiteradamente, apoio internacional nas últimas semanas, sobretudo dos Estados Unidos.
Turquia, Paquistão e Arábia Saudita concordaram em passar "imediatamente à implementação" de um acordo de defesa assinado em agosto em Meca.
Na segunda-feira, anunciaram sua intenção de "fornecer as forças e os meios militares acordados, e mobilizá-los rapidamente no reino".
Este anúncio "sugere uma mobilização de caráter defensivo", destinada a ajudar Riade a interceptar os mísseis e drones houthis, comentou Hamish Kinnear, da consultoria Verisk Maplecroft.
A guerra afeta o mercado de petróleo da Arábia Saudita, principal exportador mundial de petróleo bruto, devido aos ataques dos houthis às refinarias do reino e à frota saudita no mar Vermelho.
R.Zachariou--AN-GR