Trump e Zelensky se desentendem por acordo sobre diesel; ataques russos deixam 21 mortos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu par ucraniano, Volodimir Zelensky, trocaram críticas neste sábado (10), após Washington decidir aliviar as sanções ao diesel russo, enquanto novos ataques de Moscou contra a Ucrânia deixaram pelo menos 21 mortos, entre eles quatro crianças.
Trump, cujo Partido Republicano enfrenta um cenário complicado nas eleições legislativas do próximo mês, em parte devido à alta dos preços dos combustíveis, anunciou na sexta-feira que conversou com o presidente russo, Vladimir Putin, e concordou em permitir que Moscou volte a exportar grandes volumes de diesel para os mercados internacionais.
A Ucrânia e seus aliados europeus reagiram com preocupação. A Rússia "recebeu a mensagem de que podia continuar atacando", escreveu Zelensky no Facebook.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que o fim das sanções ao diesel russo apenas contribuirá para financiar a guerra do Kremlin na Ucrânia. "Este não é o momento de aliviar a pressão sobre a Rússia, e a Europa não o fará", declarou nas redes sociais.
Por sua vez, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, disse neste sábado a Zelensky que poderia contar com sua "solidariedade absoluta".
Questionado neste sábado, Trump respondeu que Zelensky desobedeceu suas instruções de não atacar refinarias russas. Segundo o presidente americano, essas operações podem agravar a escassez mundial de combustíveis provocada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
"É melhor que ele pare", disse Trump, acrescentando que "é hora de a Ucrânia ter um novo presidente". "Eu sugiro que escolham um novo líder capaz de alcançar um acordo, porque ele poderia ter fechado muitos acordos e, por alguma razão, nunca consegue", afirmou.
O chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, reagiu rapidamente e afirmou que Zelensky "conta com o apoio do povo ucraniano". "As declarações vindas do exterior apenas confirmam que ele está fazendo bem o seu trabalho. Ele merece apoio", escreveu no X.
- Bombardeio mortal na Ucrânia -
Moscou intensificou nos últimos meses seus ataques contra a Ucrânia, elevando o número de vítimas civis, enquanto os esforços diplomáticos liderados pelos Estados Unidos para encerrar mais de quatro anos e meio de guerra seguem estagnados.
Na madrugada deste sábado, um ataque russo com bombas contra a cidade de Zaporizhzhia, no sudeste da Ucrânia, deixou 20 mortos, entre eles três crianças, segundo os serviços estatais de emergência.
"Hoje a Rússia expressou sua gratidão pelo fim das sanções às exportações de diesel lançando cinco bombas contra edifícios residenciais em Zaporizhzhia", escreveu Zelensky no X.
Na região central de Dnipropetrovsk, um ataque russo com drones matou um menino de 11 anos, informou o governador regional.
Os bombardeios russos também provocaram cortes de energia em Kiev, segundo a companhia elétrica DTEK. Além disso, o prefeito da capital informou que um restaurante foi atingido.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter atacado um "centro de dados" utilizado pelo Exército ucraniano. Jornalistas da AFP ouviram explosões sobre Kiev ao longo do dia.
- "Conversas construtivas" -
O anúncio do acordo sobre o diesel coincidiu, na sexta-feira, com uma reunião em Miami entre autoridades dos Estados Unidos, da Ucrânia e da Europa, em uma nova tentativa diplomática de acabar com a guerra.
A delegação ucraniana iniciou neste sábado seu retorno ao país, informou um assessor de Zelensky.
Desde sua chegada à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump tenta mediar o fim do conflito na Ucrânia.
Após a reunião em Miami, o enviado americano Steve Witkoff escreveu no X que "conversas construtivas" exploraram "possíveis caminhos para reduzir a escalada e encerrar a guerra com a Rússia antes do inverno" (no Hemisfério Norte), além de promover uma paz "duradoura e estável".
Segundo Witkoff, participaram do encontro representantes do Reino Unido, da França e da Alemanha, além da Comissão Europeia, da Ucrânia e da Otan.
O Kremlin informou neste sábado que Trump transmitiu a Putin várias propostas para reduzir as tensões durante uma conversa telefônica realizada na sexta-feira. Putin recebeu essas iniciativas "com compreensão", indicou o Kremlin, sem fornecer mais detalhes.
A Rússia, que lançou sua invasão em grande escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, controla atualmente cerca de um quinto do território ucraniano.
O.Kouris--AN-GR