Athens News - Onda de violência na França preocupa setor turístico

Onda de violência na França preocupa setor turístico
Onda de violência na França preocupa setor turístico / foto: LOU BENOIST - AFP

Onda de violência na França preocupa setor turístico

"Quando vemos CNN, Fox News, BBC, tudo isso, parece que a França está em guerra", lamenta Laurent Abitbol, um dos profissionais do setor turístico deste importante destino internacional preocupados com as imagens da onda de violência que circularam pelo mundo.

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Saques a lojas, incêndios, barricadas na avenida Champs-Élysées, confrontos com as forças de segurança no centro de Paris... As cenas de violência à margem dos protestos sociais do último sábado (17) foram exibidas nas telas de todo o planeta.

"Francamente, não tínhamos certeza de que nossa visita seria mantida", suspira um executivo indiano em viagem de negócios, ouvido pela AFP em um hotel de Paris nesta semana.

Para Christelle Chassagne, presidente da federação de organismos institucionais do setor, ADN Tourisme, "esse aumento da violência em pleno centro das cidades, em Nice, Paris e Lyon, é catastrófico".

"Quando reservam (...) uma semana em um hotel, não é para ficar trancados nele", acrescenta, prevendo cancelamentos.

"Isso já está acontecendo nas hospedagens turísticas, especialmente nas cidades", confirma Didier Arino, diretor-geral da consultoria Protourisme.

Paris vinha de um período favorável para o setor, impulsionado pelos shows de Céline Dion, pela visita do papa Leão XIV e por duas feiras profissionais dos setores automobilístico e alimentício.

No entanto, segundo a consultoria MKG Consulting, desde o último sábado, os hotéis parisienses praticamente perderam a vantagem que tinham nas reservas em relação a 2025 para as próximas seis semanas.

"Em apenas um dia, entre segunda-feira e terça-feira (20), a diferença na proporção de quartos já reservados para estadias entre 20 de outubro e 29 de novembro passou de +1,0 ponto para +0,2 pontos em comparação com 2025", acrescenta a consultoria.

- Novos episódios? -

Essa desaceleração, particularmente perceptível no segmento de alto padrão, "lembra a de dezembro de 2018, quando o movimento dos coletes amarelos freou as reservas em Paris", observa a consultoria.

Em 1º de dezembro daquele ano, manifestantes chegaram a entrar no turístico Arco do Triunfo e provocaram danos.

Na ocasião, o número de hospedagens em hotéis caiu 1,2% em relação ao ano anterior na França metropolitana e até 5,6% na capital, segundo o instituto de estatísticas Insee.

Grandes países emissores de turistas, como a China, recomendaram agora que seus cidadãos que viajam à França reforcem as medidas de segurança.

"Quanto mais distantes estão os mercados emissores de turistas, maior é a sensibilidade aos riscos de segurança e maior é o impacto", explica Didier Arino. Esses visitantes também gastam, em média, mais do que os turistas europeus durante a estadia.

Os especialistas consultados pela AFP ressaltam que o impacto final dependerá da ocorrência de novos episódios de violência nas próximas semanas.

"O impacto de um dia de confrontos e violência urbana no coração de Paris provoca cancelamentos equivalentes a 1% do número de pernoites mensais nos dias seguintes e outro tanto nas semanas posteriores", segundo Arino.

Embora Laurent Abitbol, presidente do conselho de administração da rede de agências de viagens Selectour, esteja preocupado com as imagens da violência de sábado, ele também relativiza seu impacto.

"Se isso durar apenas 15 dias, não acontece nada", afirma, destacando a resistência do setor. "Por outro lado, se continuar durante alguns meses, será catastrófico", acrescenta.

Vanguélis Panayotis, da MKG Consulting, também destaca a "extrema resiliência" do turismo.

Paris bateu recordes em 2024 e 2025, apesar de ter sido alvo de sangrentos ataques jihadistas em 2015 e, três anos depois, dos protestos dos coletes amarelos, lembra.

O.Alexiou--AN-GR