Bukele esclarece que libertação antecipada será para colaboradores ocasionais de gangues
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, esclareceu que a possível libertação antecipada de presos em sua "guerra" contra as gangues será avaliada para cerca de 10 mil pessoas que colaboraram ocasionalmente com esses grupos criminosos, e não para integrantes das organizações.
Questionado pela AFP durante coletiva de imprensa na sexta-feira (16), Bukele afirmou que a medida poderá contemplar 10.629 pessoas identificadas como colaboradoras ocasionais, mas que não integram as estruturas das gangues.
"Desses 10 mil, vamos revisar os casos e acreditamos, em uma análise preliminar, que aproximadamente 50% poderiam entrar no programa 'Ócio Zero' para sair mais rapidamente, reabilitados, em vez de esperar dez anos para sair mais criminosos", afirmou.
O programa oferece benefícios em troca de trabalho em obras públicas. Organizações humanitárias afirmam que também é aplicado a detidos sem condenação.
"Nenhum integrante de gangue será libertado. Nunca", assegurou Bukele, ao negar que pretenda soltar metade dos mais de 93 mil detidos nos últimos quatro anos sob o regime de exceção.
O presidente afirmou que os possíveis beneficiários são culpados de delitos menores e receberão medidas conforme seu grau de envolvimento nas atividades criminosas.
Organizações humanitárias criticam o regime de exceção, que permite prisões sem ordem judicial, e denunciam detenções arbitrárias e mais de 500 mortes sob custódia estatal.
"Ninguém deve se declarar culpado de um crime que não cometeu para recuperar sua liberdade", afirmou neste sábado o Movimento de Vítimas do Regime de Exceção (Movir), que também questionou os critérios e as provas usados para identificar colaboradores.
Bukele atribui à ofensiva contra as gangues a redução histórica dos homicídios em El Salvador e classificou seu modelo de segurança como "o melhor plano de combate ao crime do mundo".
Z.Kontos--AN-GR